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o Antissocial

eu até gosto de pessoas, só não gosto daquelas que se ofendem por qualquer coisa. @antissocialblog

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Um conto sobre um Barco

Novembro 29, 2018

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Imaginem, num universo paralelo, um barco que estando à deriva, tenta de alguma forma chegar a bom porto são e salvo com todos os seus tripulantes.

 

Os marinheiros face ao tempo livre que existe entre tarefas, começam a pensar nas regalias a bordo e durante este tempo, começam a pensar também nos direitos dos outros. Ora em vez de se sentarem e todos juntos com a ajuda do seu líder, que poderia atuar como moderador, resolvem eles juntarem-se secretamente.

 

 Começam então a juntar-se em pequenos grupos. A criar reuniões secretas atrás dos barris e começam a idealizar um conjunto de reivindicações que acham poder melhorar a sua vida. Até aí tudo bem! Mas dentro deste grupo existiram pontos de análise que não cobriram todos os trabalhadores. Os do porão sentiram-se frustrados porque não podem apreciar o belo ar marinho e gostavam de também eles de conseguir ver os por do sol, naquelas festas ao fim da tarde, que num futuro próximo se viriam a chamar sunsets.

 

Esta desavença dentro do grupo criou uma desavença que levou estes trabalhadores a criar o seu próprio grupo. Este grupo reivindicava uma vista melhor e mais desafogada.

 

Após escolhidos os representantes de cada grupo, combinaram uma audiência onde apresentaram os seus pontos de vista e os defenderam com tanta pujança que se passaram a odiar. O Capitão via-se assim com a primeira revolta no seu barco e preocupava-se em perceber como podia chegar ao outro lado do oceano sem muitos problemas. Coitado, mal sabia o que estava para acontecer.

 

Em defesa dos seus interesses privados, perdeu-se o sentido de equipa e cada um deles começou a defender a sua fação e a perder noção do trabalho um dos outros. O Capitão deixou de poder chegar aos marinheiros e só falava com os representantes. A comunicação passava assim a ser canalizada e adulterada a belo prazer dos respetivos representantes.

 

O Capitão começava a perder poder e passava o tempo no seu gabinete a olhar para propostas de trabalho noutros barcos, que chegavam em pequenas mochilas agarradas a gaivotas. O barco andava ainda mais devagar, porque cada vez mais, os grupos passavam reunidos esquecendo as suas funções.

 

As lutas intensificaram-se a tal ponto, que já não se podiam ver em espaços comuns. Por isso os do porão fecharam-se e com eles ficaram os remos, a comida e o abrigo para todos pernoitaram. Os do convés, que tinham a vista e içavam as velas e limpavam o barco, ficaram sem acesso às fontes de proteína e ao descanso.

 

O comandante, desesperado, tenta uma última vez reunir as pessoas para se entenderem, mas ninguém queria o ouvir,  so a luta interessava. Alguém do porão gritou que era boa ideia fazer janelas,  assim podiam ver o por do sol. O capitão ainda disse que todos podiam ver o por do sol e que se o barco não chegasse, corriam o risco de todos falecerem por excesso de ingestão de água com sal.

 

Mas aquela ideia parecia tão tentadora, e assim os do porão fizeram janelas. Pelas janelas começou a entrar água. Os outros riam-se da estupidez dos outros, pois tinham literalmente metido água nas suas decisões, tendo recusado a ajudar. O comandante foi posto no único bote salva vidas e lançado ao mar, como castigo pela sua incompetência.

 

Os do porão podiam ter ajuda, mas eram muito orgulhosos e os do convés no seu orgulho não viram que também eles não tinham salvação.

 

O barco afundou-se e naquele momento em que muitos marinheiros sustinham a respiração, viram que as pessoas que escolheram, agiram pelo orgulho e pelas motivações erradas. E que na verdade todos em conjunto podiam ter o por do sol, isto se tivessem conseguido de alguma forma empatizar com os outros.

 

O comandante esse foi visto pela última vez a ser recolhido por um barco e a ser admitido noutro projeto onde sem falta de iniciativa, corria o risco de vivenciar tudo outra vez, porque no momento certo, não foi capaz de tomar as decisões que eram precisas

 

Fim.

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