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o Antissocial

eu até gosto de pessoas, só não gosto daquelas que se ofendem por qualquer coisa. @antissocialblog

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Esperar a morte num banco de um jardim

Novembro 13, 2018

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A velhice não pode ser apenas esperar a morte num banco de um jardim.

 

A esperança de vida não pode estar associada a mais tempo nos lares ou nos bancos de jardim, onde nos cruzamos sempre com as mesmas pessoas que (des)esperam pelo fim do dia.

Sem qualquer alternativa são empurrados para a monotonia dos dias, onde esperam a noite ou um telefonema do familiar que na sua azáfama, se esquece de ligar.

Que verdadeiras soluções estão a ser pensadas para os nossos idosos? A inteligência artificial está ao virar da esquina, os idosos do futuro irão querer assistentes pessoais ou relações humanas?

 

Vivemos num mundo, mais inteligente, mas mais superficial. Vivemos num mundo mais fit, mas mais demente. Como podemos aproveitar estas vidas, que na sua parca condição física, ainda têm tanto para oferecer?

 

Mas não temos nada pensado para fazer acontecer. Vivemos os dias na sua rotina, não pensando que afinal de contas também caminhamos para aquele banco de jardim. Vamos substituir o Sr. Joaquim e o Sr. Manuel, cujo dia começa pela leitura do obituário, pois sentem falta do Sr. João que não aparece faz tempo. Os pombos sentem a falta dele, mas eles sentem muito mais.

 

Este texto não é mais do que uma homenagem a um velho chamado Stan Lee, que criou universos, tal como os destruiu. Que viveu a sua vida recusando o banco do jardim, sempre atento ao estirador onde criou desde novo até velho, heróis que cresceram para além dele. Ele é o verdadeiro herói do Sr. Joaquim e do Sr. Manuel, pois conseguiu criar e manter-se ativo até tarde, talvez porque foi poupado ao trabalho físico, mas acreditaram nele até ao fim.

 

Leva-nos a pensar de que forma queremos ser recordados quando morrermos? Queremos ser mais um velho no jardim, ou o criador de universos e heróis?

 

Na verdade, só precisamos de ferramentas, formação, oportunidades e acima de tudo criar um universo para todos os heróis que se sentam nesses bancos, à espera de uma oportunidade para também contar a sua história.

 

Seria interessante um projeto que desse voz, armazenasse e acima de tudo divulgasse todo o conhecimento dentro das memórias aprisionadas no silencio do parque recortado pelo barulho dos pombos.

 

Obrigado Stan Lee, por fazeres acreditar que é possível sonhar e brincar para além de esperar a morte!

 

PS: voltei a abrir os comentários a todos :) portem-se bem!

 

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